A ilusão de que somos uma individualidade distinta em relação ao universo é a responsável pelos nossos incontáveis renascimentos. Após a nossa morte, é essa crença ilusória na nossa individualidade que determina a agregação dos cinco componentes budistas do ser e a reencarnação.
Existem três qualidades básicas que caracterizam o universo, segundo o Budismo.
Primeira qualidade: a impermanência ou anicca
Nada no universo perdura para sempre, tudo se transforma continuamente e caminha para a própria dissolução. Isto nos lembra que não devemos nos apegar às coisas, pois todas as coisas são temporárias. O apego gerará, inevitavelmente, sofrimento, pois nada perdura.
Segunda qualidade: a dor ou dukkha
O universo está impregnado pela dor. O sofrimento é generalizado, está por toda a parte. A consciência desta qualidade do universo nos torna mais preparados para lidar com a dor e o sofrimento. Também nos torna mais compassivos e atentos para com o sofrimento das pessoas.
Terceira qualidade: o não eu ou anatman
A ideia de que somos uma individualidade separada do universo não passa de ilusão. Todos estamos conectados uns aos outros, não se pode dizer onde termina um ser e onde começa outro. O bem-estar das outras pessoas influencia o nosso bem-estar, o mal-estar das outras pessoas influencia o nosso mal-estar. Esta qualidade do universo traz como consequência prática a necessidade de se combater o egoísmo, o qual reflete uma compreensão imperfeita da realidade do universo: um universo no qual todos os seres estão interrelacionados e são interdependentes.